Por que Winners?

Em um Líbano novamente dilacerado, agora por uma explosão que trouxe tristeza e dor a todo o país, um grupo de brasileiros usa o futebol para sonhar com um futuro para crianças refugiadas

Das coisas menos importantes, o futebol é a mais importante, costuma dizer o comentarista esportivo Milton Neves, pontuando o esporte como a paixão nacional que é no Brasil.

Um grupo de brasileiros transformou esta paixão em solidariedade. O resultado disso? Nasceu a Winners, uma agência que se aventurou em uma jornada de voluntariado que une ex-atletas, agentes humanitários e um desejo real de transformação de crianças refugiadas em Zahle, a 50 km de Beirute, capital do Líbano. Neste momento do país, assolado por crise econômica e as consequências da recente explosão em Beirute que obriga o país a se reerguer mais uma vez, esta iniciativa pode ser um alento ainda mais necessário.

“O Líbano é o país que tem maior número de refugiados do mundo. Diante da crise, era preciso fazer alguma coisa. Resolvemos ajudar oferecendo aulas de futebol, inglês, computação e costura”, declarou João Colares, 27 anos, um dos responsáveis pelo Winners no país. João foi para o Líbano em outubro do ano passado, junto com a esposa, Julie. Eles vivem em Zahle, capital de Beca, uma agradável cidade com cerca de 120 mil habitantes, a maioria deles cristãos, e as atividades do futebol acontecem em um campinho de futebol na cidade de Majdar Anjar de maioria muçulmana, uma das cidades com maior fluxo de refugiados por ser na fronteira com a Síria. Winners deu início ao desejo de inspirar mudanças na vida de crianças de famílias refugiadas, especialmente da Síria, assolada pela guerra recente e instabilidade política e econômica.

Há um anseio no Líbano de recomeço depois dos estragos causados pela explosão. João observou isso quando viu o esforço dos libaneses em apoiar ações de reconstrução. Ele ficou impressionado ao ver jovens limpando ruas, apoiando pessoas, cuidado de lugares afetados. E acredita que este sentimento pode ser inspirador, tanto para ele quanto para a equipe da Winners.

“A Winners se torna relevante por levar a esperança de que, mesmo nesse turbilhão de situações extremamente adversas, o futuro pode ser leve e bonito. Somos agentes de esperança”, declarou.
“A gente pode aliviar esta dor, em um momento triste, para contribuir, melhorar a autoestima, a saúde, o aspecto emocional, e fazemos isso com o futebol. Teremos papel fundamental, peno menos para um grupo de pessoas”, declarou.

O espírito solidário dos libaneses também impressionou o ex-jogador de futebol Carlos Alberto Batista, que jogou inclusive no São Paulo Futebol Clube, um dos professores do projeto. Mesmo em meio ao sofrimento e à incerteza, um estado de perda que afeta especialmente a economia e causa ansiedade quanto ao futuro, especialmente dos mais de 1,5 milhão de refugiados no país, ele ficou comovido com as demonstrações de resiliência. “Vi pessoas pegando em vassouras, sacos de lixo, sem qualquer formação ou junção institucional, vi um homem em cadeira de rodas, com vassoura na mão, varrendo as ruas depois da explosão. Isso me marcou”, disse.

Nesse contexto, a presença da Winners faz diferença, acredita Mônica, esposa de Carlos e uma das voluntárias. “Percebemos isto a cada encontro, na escolinha, no contato com os pais, percebendo a presença deles acompanhando seus filhos, até mesmo em algumas mães que se esforçam para estar ali”, afirmou. É uma realidade que leva a uma percepção: há muito o que fazer ainda e há oportunidade para quem desejar ajudar a reconstruir a vida de famílias libanesas e refugiadas. “Tem muito o que fazer ainda. Estamos apenas engatinhando”, declarou Mônica.

Vítor da Costa Ressurreição, um ex-goleiro formado pelo Vitória, tradicional equipe da Bahia, também está no Líbano e ajuda as crianças a imaginar um futuro diferente. A oportunidade de mudar radicalmente a realidade de pessoas que vivem no limiar da desumanidade comum a situações vividos pelos refugiados, se anima ao perceber que seu trabalho pode inspirar mudanças. “A gente pode aliviar esta dor, em um momento triste, para contribuir, melhorar a autoestima, a saúde, o aspecto emocional, e fazemos isso com o futebol. Teremos papel fundamental, peno menos para um grupo de pessoas”, observou.

O time Winners no Líbano é um sopro de esperança em um momento em que, mais uma vez, o Líbano precisa recomeçar. Talvez você leia o relato dos brasileiros que estão por lá, levando algo capaz de proporcionar tanta alegria, como o futebol, para levar educação, saúde, esperança, humanidade, e sinta que pode ajudar. Dê atenção a este sentimento. O seu apoio e a sua doação pode ser exatamente o que é preciso para ajudar crianças no Líbano a um encontro com um futuro melhor.

Heron Santana

Heron Santana

Heron Santana é jornalista e voluntário da Winners