Como o voluntariado inspira compaixão nos serviços de saúde

 

Não fosse a pandemia, o cirurgião dentista Rodolfo Segawa teria acrescentado uma viagem à índia em seu histórico de projetos humanitários. Sócio-proprietário da Clínica Allegra, com unidades em Itapevi, SP, a 45 km da capital, e no bairro do Tatuapé, zona sudeste do município paulistano, Segawa já viajou como voluntário para países como Paraguai, Egito e Guiné Bissau, atuando em projetos humanitários de saúde. A carreira bem-sucedida em um dos setores mais desenvolvidos do mercado de saúde do Brasil, a odontologia, é conciliada com um interesse genuíno no voluntariado. “Com o tempo passei a gostar bastante desta experiência, atendendo pessoas carentes em bairros periféricos, exercendo um trabalho altruísta”.

 

Rodolfo Segawa é a representação do quanto é inspirador, na saúde brasileira, existir profissionais que orientam seu ofício pela compaixão e humanidade. Neste 5 de agosto, Dia Nacional da Saúde, com o mundo sofrendo uma crise sanitária e humanitária por conta do coronavírus, expressar esta virtude é ampliar influência e inspiração, o que pode levar mais profissionais de saúde a dedicar tempo para cuidar voluntariamente de populações economicamente vulneráveis.

 

As campanhas solidárias levaram Segawa a realizar mais de 20 saídas por ano só em São Paulo. Com uma equipe de profissionais de saúde, ele presta atendimento que vai desde extrações, restaurações e tratamento de canais, devolvendo estética e função à saúde bucal de muitos brasileiros. As missões internacionais se transformaram em uma paixão. O cirurgião chega a participar de campanhas com entidades distintas, como a Africa Volunteers (Guiné Bissau) e a Maranatha Volunteers, pela qual iria para a Índia.

 

Nessas viagens, duas percepções sobressaíram: a primeira, o quanto a odontologia brasileira possui um nível de excelência capaz de impressionar. “Odontologia no Brasil é de primeiro mundo. Desde a mais popular a mais sofisticada. Os profissionais têm acesso a bons cursos, reconhecidos mundialmente, melhores profissionais do mundo; e clientes com acesso a odontologia moderna, comum às maiores economias do mundo”afirmou.

 

Outra percepção é o desafio de ver muitos países sem acesso a uma realidade tão digna de saúde bucal. No Egito, Segawa percebeu que as pessoas sofrem com falta de acesso tratamento odontológico. Em Guiné Bissau, chamou a atenção a falta de saneamento básico, pobreza e higiene, com o desafio de educar a população para o hábito de escovar dentes.

 

Diálogo e parcerias

 

O Dia Nacional da Saúde, comemorado em dia 5 de agosto, foi criado em memória à data de nascimento do médico sanitarista Oswaldo Cruz, um respeitado e histórico epidemiologista e bacteriologista brasileiro que ajudou o Brasil a erradicar a febre amarela e a varíola, no início do século 20.

 

A data é lembrada pela primeira vez com o Brasil e o mundo mergulhados na pandemia da Covid-19. O médico Douglas Charpinel, diretor do Hospital Adventista de São Paulo, analisou esta realidade, refletindo sobre lições que a saúde brasileira pode tirar da pandemia.

 

Ele vê duas transformações em curso. A primeira é a necessidade de reajustar o número de leitos de unidades de terapia intensiva por habitante no Brasil. E a segunda, é a necessidade de mais diálogos e parcerias entre os setores público e privado. “Será preciso aprimorar o relacionamento entre esses setores, para que o serviço público consiga usar leitos no setor privado”, observou. Na declaração de Charpinel, há um desejo esperançoso de um serviço de saúde mais colaborativo e focado em atender as demandas da população.

Rodolfo Segawa
Douglas Charpinel
Heron Santana

Heron Santana

Heron Santana é jornalista e voluntário da Winners